A cara estampada na maioria dos jornais mal sucedidos da cidade era algo relativamente desagradável naquele momento. Havia perdido o emprego por causa do escândalo e, junto com isto, perdeu (mais ainda) a noção do certo e do errado. Nada mais impedia de fazer loucuras lá pelas tantas da madrugada.
Alex gostava de observar o comportamento das pessoas na rua... Passava horas com o corpo encostado em carros estacionados, só para ver as pessoas passarem, observar seus hábitos, tentar adivinhar seus pensamentos, essas banalidades que qualquer pessoa desocupada faria.
Novamente, as coisas não tinha muito sentido; o céu ficava claro quando era noite e escuro durante o dia, as flores estavam mais murchas na primavera do que em qualquer outra estação, tudo estava de pernas pro ar, literalmente falando, já que putas passavam o dia na rua oferecendo os seus serviços para quem passasse na frente; homens, mulheres, crianças, Alex Grey, e qualquer outra espécie conhecida pelo homem. Aquela rua era a famosa Rua das Genis.
Aquelas Genis, não eram bonitas, mas tinham corpos esculturais e por isso cobravam caro. Eu cheguei a me apaixonar por uma delas, a Elise. Ela tinha olhos negros, com bolsas leves embaixo destes, um rosto delicado, sem muita expressão, parecia estar sempre sentindo a mesma coisa (eu acho que era por isso que a chamavam de Gibi... ela era tão insensível, por assim dizer, que era capaz de transar com 8 caras de uma vez e ler um gibi durante o serviço). Nunca soube o que me atraiu naquela mulher. Mas eu também nunca soube o que eu tinha visto de tão atraente em Alex e mesmo assim, fiz o que fiz.
Elise era como um jogo de videogame; completamente estúpido e mesmo assim fascinante. Eu vivi bons momentos ao lado daquela meretriz de 150 cifras. Ok, não foram tão bons os momentos que vivi ao lado dela, já que a maioria desses momentos ela falava mais em Alex do que em qualquer outra coisa. Isso me deixava possesso. Mais ainda porque eu era o único cliente com quem ela conversava e mesmo assim, a maldita só falava em Alex Grey. Perdi a conta de quantas vezes eu quis arrancar o pescoço dela por isso. Perdi a conta de quantas vezes quis fazer o mesmo com Alex Grey. Um dia eu conseguiria.
Alex não ficava atrás nessas malditas conversas e, toda vez que nos falamos, Elise sempre foi o assunto. Alex amava aquela prostituta mórbida mais do que amava à própria mãe, mas do que amou qualquer pessoa na vida. Por ela, Alex parava de contar histórias ridículas do tipo ‘como eu resolvi criar o Linux só para encher o Bill Gates’, parava de falar coisas sem sentido e às vezes, não usava drogas só para estar apresentável à sua puta de luxo. Se você procurasse a palavra idiota no dicionário, certamente veria a foto de Alex Grey ao lado. Mas isso não vem ao caso, até porque... meu trabalho é contar a história de Alex, e não esbanjar o meu profundo ciúme daqueles dois malditos porcos sujos anteriormente falados aqui. Eu anseio coisas novas, desde que Alex Grey sumiu da minha vida...
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