segunda-feira, maio 28, 2007

Alex Grey vira notícia.

Acordou com uma enorme dor de cabeça (novamente) e tentando entender o que havia acontecido na noite passada. Não tinha muita certeza do que havia acontecido, mas sabia que aquele quarto não era seu. Olhei para Alex como se soubesse quem era, como se não sentisse vontade de enfiar a mão naquela cara arrogante. Sabia também que aquela pessoa deitada ao lado não era, nem de longe, alguém com quem dormiria em sã consciência. Não pensou duas vezes... Vestiu-se, saiu pela janela e nunca mais olhou para aqueles lados novamente.

Dias depois, em casa, vendo televisão; Alex surpreendeu-se ao ver a pessoa com quem dormira sendo levada pelo IML dentro de um saco preto. A manchete dizia ‘Heroína faz mais uma vítima’. HAHA! Soava engraçado; como pode uma heroína fazer vítimas? Alex viu em 3D uma cena da Mulher-Maravilha estuprando outra mulher com o seu chicote mágico. Precisava de um café, decididamente. Durante a refeição veio a idéia mais absurda e interessante dos últimos tempos de bebedeira e overdoses: Ir ao IML e apresentar-se como parente do morto. Alex sempre quis conhecer um morto. Não foi difícil convencer àquele gorducho comedor de rosquinhas de que Alex mantivera sim relações sexuais com a pessoa que estava na gaveta B-41. Não com aquela oferta que de tão tentadora, não merece ser pronunciada em vão. Alex estava a sós com o corpo e podia realizar todos os desejos que imaginou no caminho, todos.

Aquele corpo gelado me olhava como se eu fosse a última coisa que ele tivesse visto. Havia um certo sorriso naquele rosto, não sei porque, era uma coisa estranha, mas eu adorava olhar praquilo. Os pulmões eram pretos, pareciam ser feitos de aço, a pele branca estava toda arranhada, como se houvesse sido orgasticamente desejada por alguém, aquela pessoa deitada parecia ter morrido feliz, mas não estava em paz. Alex encontrou-se com a cabeça confusa pela primeira vez desde que parara de beber. Não, aquilo não era o sabor da sobriedade, eram devaneios de abstinência, era o corpo implorando por um ácido, por uma seringa, qualquer coisa, até mesmo um baseado. Alex Grey não sabia muito bem o que fazer, mas não se preocupou, já que Alex Grey nunca sabia o que fazer.

Como se um clipe de música mexicana estivesse sido iniciado, a luz ficou vermelha, galinhas apareciam por todos os lados, prostitutas gritavam histericamente, bandas mal-sucedidas tocavam num palco de chão batido enquanto forasteiros invadiam a privacidade das esposas dos homens de bem, crianças brincavam de gude como se tivessem ouro nas mãos, e as pessoas, ah, as pessoas bebiam cada vez mais rápido porque sabiam que o fim estava cada vez mais próximo do último gole. Estava quase impossível de se respirar naquele lugar, tudo cheirava a formol, todos os perfumes, todos os hálitos, todos os corpos (principalmente os corpos), tudo. Alex Grey se encontrava mais feliz do que nunca em meio a toda aquela putaria constante, àquelas drogas, àqueles milhares de orgasmos que sentia. Foi o primeiro registro de sexo oral feito em defuntos feito na história deste país, graças àquele maldito gorducho.

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