sexta-feira, janeiro 24, 2020

carta

não faz tanto tempo. 

pra ser honesto é tão recente que você ainda está aqui. deitada no sofá rindo da internet. é bom ouvir.
pra ser honesto; quando você disse que meu pedido de perdão não parecia sincero muito provavelmente você estava certa. estava sim. e não é que eu não sinta, não é que eu não me arrependa, é só que é cedo. você disse isso. 

   eu fico tentando pular as etapas. desde sempre. nunca fiz nada q fosse do começo ao fim. tem coisas que eu começo pelo meio e tem fins que iniciam todas as coisas. o nosso, por exemplo, nunca chega. 
sempre vem; mas nunca chega. como uma onda que quebra no meio do mar, encosta na areia mansinha...................e derruba o castelo

  você ainda está aqui. suas malas estão aqui. seu sangue. suas coisas, você. o jeito que a gente lida com tudo, a forma como você ganha as palavras que me derrotam...... você. segue rindo. eu gosto do som. vai fazer falta. 

é.

  eu sinto o bloqueio, não é de hoje. você disse que a coisa virtual era só uma metáfora pro quanto não quer falar comigo, me ouvir. por que caralhos tá me mostrando vídeo no twitter? você me bloqueou. 

  eu gritei com você. a rua toda ecoando a minha voz desesperada pedindo pra você não me obrigar. eu tentei evitar. 

cada linha que pulo, uma memória. o quanto eu errei, e você.

não faz tanto tempo. 
  talvez por isso seja tão raso falar tanto. se eu tivesse algo de novo a dizer, pelo menos. você sabe que eu te amo, não importa mais. eu também sei. silêncio. um clube restrito onde gritam por dentro e nada se ouve. 

engraçado como nessas horas miudezas não importam. o que fazer com o jogo de toalhas? uma dessas malas é minha. devolve meus óculos. leva de vez as coisas que me fazem ser eu e me tira de dentro de você com a mesma intensidade que botou. faz teu nome na história do meu amor, chama de seu, de nosso. sorri pro instagram. várias dm. some logo daqui! some daqui! leva de uma vez essa página e queima. 

queima

mas não some

ou não

visceral

estranho como a gente se sabota, se repete... se esquece.
em vez de reproduzir; obliterar.
as palavras me acompanham, se perdem em mim
talvez se eu voltasse a mim mesmo
talvez

é tanta humilhação que nem vergonha eu sinto mais.
é tanta vergonha que água nenhuma consegue limpar,
álcool nenhum consegue tirar
o gosto podre de um fracasso

tristeza
vazio
fracasso
dor física
dor
insegurança
saudade
tristeza
vontade

terça-feira, abril 25, 2017

nuance

mais que nunca 
dividido
de um lado as cartas
do outros os cortes
às vezes eu sonho que não estou aqui
às vezes 

terça-feira, agosto 18, 2015

fuga

Passou de meia noite. Ana insiste em (tentar) dormir mesmo percebendo que isso não vai funcionar. Eu consigo sentir o ódio dela daqui e enquanto escrevo ela tenta se distrair da minha presença com um fone de ouvido ou qualquer tecnologia que o valha. Queria me importar mais. Não sei em que momento eu me tornei tão detestável, provavelmente o episódio do macarrão não ajudou muito - se eu soubesse, também não há nenhuma garantia de que esta noite pudesse ter sido evitada. A gente parece que sente a tempestade se aproximando. O cheiro do enxofre vem forte no ar, entra pelas suas narinas e não há nada mais que se possa fazer. Provavelmente ela deve estar me odiando mais pelo barulho do teclado. Foda-se. Amar [não] é algo tão complicado. Numa hora tudo está bem, na próxima hora tudo está uma bosta mas nem por isso o sentimento muda. Não da pra explicar; é uma experiência de comunhão e desprendimento que se renova a cada segundo. É uma pena para os egoístas. Eu gosto. Me considero esforçado, sabe? Aqueles que vão além de si pra agradar outras pessoas [...] o ponto em questão vai além de ids, cernes e afins... eu divago. Ela deve estar se perguntando o que tanto escrevo uma hora dessas. Seria interessante poder conversar, não importa com quem. Ela mesma seria uma boa opção, mas não hoje. Hoje ela odeia tudo a meu respeito. Foi o macarrão. Se for listar as minhas falhas então ela está coberta de razão. Ainda assim, eu só estava tentando ajudar. Loki continua lá fora, só que dessa vez a culpa é minha (até porque se eu não tivesse ido buscá-la ela já teria voltado e tudo estaria 'bem' agora). Não sei não. Imaginei que a esta altura ja teria algo de concreto pra se argumentar... por outro lado eu sequer entendo o que está acontecendo. O soluço e o choro são perceptíveis. Assim como a sensação de 'afaste-se' que cresce cada vez mais. O que posso fazer? Deitar na cama seria estúpido, além disso não tenho energia pra encarar a nuca dela me ignorando friamente. Ela levanta outra vez, dá pra ver que não me quer por perto. Não tem lugar pra você aqui. A azia piora tudo. É ruim perceber que não pode controlar nada à nossa volta. Doido é quem tenta. Sinto pela minha mãe. Sinto pelo meu pai, mas de outra forma. Queria poder ligar pra ele e perguntar o que fazer. Provavelmente ele diria pra me desculpar. Pelo quê? Não sou cínico, sei as merdas que faço. Mas vamos lá... fui eu quem fez tudo isso? Deve ter sido. O que mais explicaria tanta irritação? Se isso não é projeção, não sei o que é. Finalmente entendi o que é cortar o clima com uma faca. Não é uma coisa boa. Ela busca refugio no livro, eu na folha. Não resta nada a ser dito. Orgulho é foda.




Talvez eu devesse mesmo dormir no chão esta noite. 

quarta-feira, agosto 14, 2013

Mama.



Eu lembro bem. Ela dizia que não queria, não sabia como fazer aquilo. E ria. Ela ria de tudo! Se dissesse que queria um dar-lhe um beijo a resposta seria um sorriso doce e inocente que te tão inocente parecia um convite. Ela olhava lentamente para todos os lados, fugia de mim. Mas estava lá. Seu corpo contra o meu, tremendo. Tudo dizia que ela não queria estar ali; exceto pelo gemido leve que ecoava pelo espaço toda vez que eu a tocava. Aquela calça rasgada não servia mais. A camisa preta escondia o pouco do pudor que restara, e mesmo assim minhas mãos enxergavam perfeitamente a sua fraqueza; cada vez que a tocava sua voz ficava mais ofegante, seus olhos cerravam e os dentes mordiam tudo que estivesse ao alcance – eu, por exemplo. E seguimos. Agora éramos carinho puro e o calor despira nossos corpos, que por sua vez insistiam em não se separar. Ela hesitava, fugia levemente como se não tivesse certeza do que estávamos fazendo e ainda assim estava gostando. Sua boca não negava meus beijos, não mais. Os seios estavam firmes, arrepiados e hipnotizavam-me com tanta beleza. Eu os colocava na boca, chupava tudo, mordia lentamente os mamilos rosados enquanto olhava seus olhos e tocava sua buceta. Ela gostava. Mama era, apesar da timidez, extremamente sexual. Ela mordia o lábio, puxava meu curto cabelo e arranhava minhas costas a cada movimento que eu fizesse. Eu queria aquele corpo todo pra mim. A pele clara cheia de sardas e aqueles olhos loucos quase claros, quase escuros; os pequenos pelos das belas e longas pernas.  Tudo nela era perfeito. Ela era perfeita. No instante seguinte não havia mais nada que não soubéssemos um do outro. Ela mordia meu pescoço e sua mão passeava pelas minhas costas; sabia o caminho, sabia me fazer tremer. Finalmente estava acontecendo; éramos eu e a musa, minha musa. Mãos, olhos, boca e orelhas. Mordidas, arranhões, carinho. Ela subia em mim, estávamos de frente, olhos nos olhos, ela montava no meu colo e prendia as pernas na minha cintura, mexia-se como uma serpente, rebolava sem parar e não tirava os olhos de mim. Agora eu estava solto e ela estava de joelhos na minha frente. Veio, descarada, rindo sem parar e colocou meu pau em sua boca. Que maravilha. Ela chupava tudo, com gosto, estava adorando. Eu também. Não havia conhecido ninguém que fizesse um boquete tão bom. Ela era realmente perfeita. E lá estávamos; ela chupando meu pau, mostrando os dentes, feliz. Deitamos. Fui até ela outra vez e desci até suas pernas. Mordia aquelas coxas com todo amor que havia em mim. Eram as pernas mais belas que conhecia. Subi devagar até sua buceta. Ela estava molhada e eu não parava de tocá-la. Comecei a chupar aquela delicia, chupava toda. Seu gosto era delicioso, sua carne pulsava e ela tremia e ela gemia sem parar, ficando cada vez mais molhada, mais e mais. Ela gritava, estava adorando, pedia mais. Não parei. Agora minhas mãos conheciam seus peitos, minha boca chupava-a toda e as pernas dela dançavam suspensas. Era maravilhoso. Chupei mais. E mais. Ela adorava, não queria que eu parasse e eu não queria parar. Aquele era o sonho. Levantei-me e carreguei Mama como uma noiva. Nos beijamos e fomos até a cozinha onde havia um balcão mais ou menos alto. Ela encostou-se de costas para mim e abriu as pernas; estava se tocando bem rápido e gemia com vontade. Ajoelhei e continuei a chupar ainda mais enquanto ela se tocava. Naquele momento nós dois soubemos que nascemos pra ficar juntos e nada seria capaz de impedir nosso fogo. Levantei, ela continuava de quatro, apoiada contra o balcão e olhava-me por cima do ombro. “Me come”- ela disse. Não precisava dizer outra vez. Por trás, enfiei meu pau em sua buceta e devagar comecei a fodê-la. Estava delicioso. Ela era apertada e quente, mexia-se com sensualidade e parecia dançar comigo, contra mim. A pele branca estava marcada e vermelha, seus cabelos estavam presos às minhas mãos, e eu os puxava com precisão. Ela gemia, tremia e gemia mais. Estava adorando. Eu também. Mama era sensacional, era perfeita. Era tudo que eu queria. Ela se contorcia no balcão enquanto tentava se equilibrar; enquanto isso eu comia sua buceta com vontade, metia forte, fundo. Ela gostava. Saímos do balcão e fomos para a sala; eu não tirava as mãos daqueles lindos seios, e chupava sua buceta com vontade. Não iria parar. Voltei a penetrá-la com tudo e dessa vez ela gemia ainda mais alto. Estávamos quase lá, ela dizia que ia gozar e me apertava com força. Suas pernas prendiam-se a mim, seus dedos marcavam minha pele; eu sangrava nas costas que ela tanto arranhava, e mesmo assim, eu queria mais. Mama era a mulher mais sexy e maravilhosa de todos os tempos, não importava o que dissesse. E seguimos um contra o outro, cada vez mais rápidos, mais intensos, mais verdadeiros. Ela estava feliz e isso era o que me deixava mais feliz. Gozamos. Ela tremia, não conseguia esconder um sorriso safado que escapava, apertava ainda mais o corpo contra o meu;  suas mãos pareciam querer entrar em mim. Beijava meu pescoço enquanto eu beijava os seus peitos e ela mexia em cima do meu pau; estávamos completos, estávamos prontos; prontos para sumir. Sumimos.

Acordei. Estava só. Eu lembro bem. Ela dizia que não queria, não sabia como fazer aquilo. E ria. Eu não passava de uma piada; ela não passava de um sonho. Mama era incrível. Perfeita demais para ser verdade.

                                                                                                       Paciência.


quarta-feira, abril 03, 2013

April




this is a poem written in anger. it’s dedicated to all of you. beasts. fake people with fake intentions. you disgust me. it’s even more disgusting to think i might deserve to be among you all, it’s even worse to believe i chose to be like this. you, of all people,  should know that. sometimes i find myself wandering about all that we have lived together, all those tiny moments that seemed - at the time - to be like the last day of our lives. where did it all go? is there a way back? doesn’t matter now, anyway. you, of all people should know. and if you’re thinking it’s just another of my drama scenes, it’s not. it’s the truth. you made me sick and i’m dying and it’s all your fault. deal with it. and go fuck yourselves.

quinta-feira, março 14, 2013

Está tarde. Estar. Um verbo curioso, visto que, a esta altura, ser ou não ser deixa de ser a questão e o enigma torna-se 'quem você é'. Talvez isso explique a falta de sono. Talvez compense as horas super faturadas de fingimento e pretensão. Talvez não. Sabemos que não há esforço que chegue aos pés de um homem insone lutando por sua vida. Confuso? Imagine virar e revirar e ouvir cada vez mais alto as vozes em sua cabeça dizendo que já passou da hora, que ainda estão ali, e que tal mais um drink? Um drink. Sei. Ninguém acredita quando digo que parei. Posso escrever na testa; "saí dessa vida" e tudo que dirão serão deboches e risos. 

A pior parte é reler. Dizem que se você se forçar ao passado, eventualmente, voltará a ele. Kaufman discorda. Ele prefere apagar as memórias. Eu não. Talvez, mas não agora. Fico revendo e repensando e a cada vez mudo os personagens de lugar, as falas e as coisas ao redor. Os gestos ficam. Como aquele beijo hoje cedo. Pouco, mas perfeito. Engraçado pensar que antes disso estávamos envolvidos pelo ranço do que poderia ter sido uma bela distração (por falta de termo melhor). Talvez a 'idade' esteja finalmente surtindo efeito. Pode ser a insomnia. Mesmo assim não entendo. Por que? Faz mais de uma semana e os flashes vão e vem e só me sinto pior cada vez que lembro daquilo. A mudez, a burrice. Olhar nos olhos deles e ver que estavam ali apenas pela diversão, pelo próprio prazer. Não posso jugá-los. Neste jogo, a única regra é passar por cima; errados aqueles que se iludem com apertos leves e cumprimentos frios. Não se olha mais nos olhos nesta cidade. Não há porquê. O lixo é igual seja no chão ou na altura dos ombros... por que se incomodar? Lhes direi o seguinte: há não muito tempo, certamente diria que estou no alto de um monte observando todos vocês escalando lentamente para o que eu já constatei ser uma grande perda de tempo - afinal, lá de cima só se vê o céu, as nuvens e a sua propria insignificância, logo; qual o motivo disso tudo? Salto. E enquanto passeio pelos seus corpos, admiro o esforço em subir tão rápido ao mesmo tempo que rio por dentro da ingenuidade que os levou a pensar que lá, no alto, é melhor. Pobres de nós. Pessoas se amontoam tão facilmente. Está tarde. Ninguém vai dormir esta noite. 

quarta-feira, março 07, 2012

(...)

Eu quero chorar. Quero matar todas as pessoas que me cercam e livrá-las do desespero que se tornou o cotidiano. Tudo é podre, pobre, burro e não evolui de jeito nenhum ou até evolui e se torna pior do que estava em primeiro lugar. E então você percebe que não adianta o que se faça, não tem jeito, não tem solução. O caos se instala na sua vida quando você abre espaço pro caos. E aí mora o perigo. De que adianta acordar cedo e sair com pressa se o trânsito te prende no mesmo lugar? E pra que serve a porra da tampa da pasta de dente se há sempre um imbecil que esquece de tampar? Parece trivial, mas são esses pequenos detalhes que me fazem querer morrer.

Mas há amor por todos os lados e a idéia sempre se esvai tão rápido quanto vem, e eu penso que talvez seja só uma crise do meio tempo, que a vida adulta não é tão bizarra e que no fim das contas as risadas, e os sábados são o motivo de se estar vivo.