Eu quero chorar. Quero matar todas as pessoas que me cercam e livrá-las do desespero que se tornou o cotidiano. Tudo é podre, pobre, burro e não evolui de jeito nenhum ou até evolui e se torna pior do que estava em primeiro lugar. E então você percebe que não adianta o que se faça, não tem jeito, não tem solução. O caos se instala na sua vida quando você abre espaço pro caos. E aí mora o perigo. De que adianta acordar cedo e sair com pressa se o trânsito te prende no mesmo lugar? E pra que serve a porra da tampa da pasta de dente se há sempre um imbecil que esquece de tampar? Parece trivial, mas são esses pequenos detalhes que me fazem querer morrer.
Mas há amor por todos os lados e a idéia sempre se esvai tão rápido quanto vem, e eu penso que talvez seja só uma crise do meio tempo, que a vida adulta não é tão bizarra e que no fim das contas as risadas, e os sábados são o motivo de se estar vivo.
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