sejamos sinceros: nada do que foi dito é realmente o que devia ter sido dito. e nós dois sabemos que há mais de onde veio todo esse amor, toda essa vontade de agarrar-se à pele do outro e não soltar por nada. há muito mais naquele sorriso medíocre do pós gozo que você deixou escapar. há mais em nossos peitos do que o mundo todo é capaz de suportar.
e por favor, parem as máquinas outra vez, pois há mais a ser dito do que mil palavras seriam capazes de dizer. há mais nas fotos mal reveladas e nos modos mal praticados do que pura falta de habilidade.
porque queremos mais do que o beijo no canto dos lábios de manhã. porque estamos pendurados pelos tornozelos como pedaços de carne sem vida. porque há mais do que sangue, e, apenas sangue nas veias. há a desforra, a vingança e o contato visual. a ironia, e o coyote à espreita na segunda praia. e toda a terra que sujou nossas lembranças sendo coberta por cimento. há mais do que as pegadas na areia em pleno verão. mas hoje não. hoje não é dia de tristeza! hoje é dia de abraçar quem se quer. é dia de dizer que o amor é isso aqui. estas unhas que rasgam a carne como papel. é dia de dizer que estamos livres! sim! e por que não mais? por que não deitar na grama e contemplar o céu nublado que promete desabar a qualquer momento?
por todas as coisas bonitas que eu prometi pra você, e por todas as coisas bonitas que eu entreguei nos braços de outro alguém. pelo novo amor que descobri, pelo jeito mambembe de desejar tudo de bom. pela inveja e pelo futuro. pela música mais alta à meia noite. pelo amor de deus; por mim: ame alguém. e seja feliz.
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