quarta-feira, setembro 19, 2007

Sexista.

Acordei no meio da noite, os olhos ardidos de tanto esfregar o sono para fora palpitavam enquanto eu me dirigia para a cozinha planejando tomar um café e voltar à cama.
Antes eu tivesse voltado. Sentei à mesa do escritório e abri as gavetas com aqueles álbuns de fotos que tanto evitei abrir novamente. Não resisti à tentação de olhar mais uma vez para as tuas pernas brancas e para suas tatuagens na virilha.

De fato, eu mereço um prêmio por ter evitado tanto este momento. O relógio da parede batia 01:23 da madrugada e para mim o tempo não iria passar tão cedo. Enquanto folheava aquele livro de capa dura, vermelho-vinho, lembrei daqueles minutos de conversa que sucediam a transa sem vergonha e regada a gemidos tão audíveis quanto fogos de artifício em festa de ano novo.

Era demais poder lembrar daquilo tudo... Suas pernas torneadas, seus lindos seios brancos, sua vagina doce e pulsante de tão molhada. Sensacional. Não resisti à vontade de ter-te novamente e procurei teu número nos meus guardados; mas tudo que achei foram mais e mais fotos. Estas dos nossos momentos mais maravilhosos enquanto juntos. Todas aquelas horas de sexo por todos os cantos da casa, todas as posições mais inusitadas, tudo aquilo era como um sonho para mim.

Por fim, acabei por lembrar do teu nome escrito na parede do meu quarto. Por todos os lados, agora, seu nome em toda a casa, cada milímetro cúbico-quadrado-seja-lá-o-que-for-mas-seja. E não era só o teu nome que empestava o lugar, mas sim o teu cheiro, o cheiro da sua boceta molhada por todos os cantos, o cheiro dos seus cabelos, do seu perfume, o cheiro das tuas roupas caras que nunca te serviram de nada (sabes bem o porquê), era o cheiro do seu prazer junto ao meu, o cheiro de sexo recém feito, o cheiro de sexo ainda por fazer.

E depois de tudo isso, sobre a mesa havia uma carteira de cigarros, alguns gramas daquilo que sempre foi a nossa maior ligação, talvez mais de seis garrafas (vazias) de um bom whisky e mais algumas garrafas de vinho, não interessa. Depois de tudo isso, Beatriz, houve um grito de rancor, um grito de tristeza, nostalgia, agonia e desespero crescente; um grito que tomou conta de todos os cômodos da casa, um grito que acordara toda a vizinhança, um grito que comprometera toda a minha integridade; meu grito de liberdade. Eu já não me sentia mais um maníaco depravado, ninfomaníaco nem coisa do tipo.

Eu tinha todos os motivos para estar do jeito que estava, de calças arreadas e espada em punho, - por assim dizer - eu tinha todos os motivos para querer sair correndo daquele inferno que era a minha vida monótona e correr todos os centímetros daqui até sua cidade só para ter novamente o som da sua voz ao pé do meu ouvido dizendo "shut up and fuck me". Eu sabia muito bem que você diria isso porque era isso que você dizia, sua vagabunda descarada. Você adora o jeito como eu bato na sua face, adora o jeito que eu passo a língua pelo seu corpo, adora cada movimento que o meu pau faz dentro da sua boceta quente e rosada, adora, simplesmente adora.

Certamente você deveria estar casada ou qualquer coisa do tipo. Eu não me espantaria se você tivesse tido filhos, sua vampira sugadora de almas (?), você sempre teve aquela facilidade em se apaixonar por qualquer desgraçado com mais de 15 centímetros, maldita. Qualquer coisa que eu descobrisse sobre ti, Bia, não seria impressionante o bastante, porque eu sei de cada detalhe da tua vida, minha querida. E justamente por saber de tudo isso eu não me importava em ter que assassinar qualquer um que ficasse no meu caminho porque eu sabia muito bem que você iria adorar, como sempre adorou, ser colocada como objeto de desejo de alguém. E você certamente me chamaria para entrar, tomar um café e não servir café nenhum, você me chamaria para tua cama e me daria mil beijos quentes antes de começarmos tudo outra vez e assim, amor, sermos novamente forma e conteúdo.

Meu amor, minha Beatriz, que falta que sinto de ti. Que ódio que sinto quando percebo que o relógio que antes batiam 1:23 da madrugada logo soaria as seis horas da manhã e tiraria o meu prazer, a tua presença e deixaria nada mais do que as memórias escassas de um sonho sexista.



- dedico-te a 100ª postagem desta página.

3 comentários:

Anônimo disse...

uma descaração, é claro, mas com sua beleza. senta e escreve garoto, deixa a libido pra depois.

Louise Vital disse...

concordo com o coelho,cuieio,cueio, que seja. :p

Unknown disse...

Menos sujeira, tatinho.