era uma vez uma menina muito bonita
cheia de idéias confusas e sonhos incompletos
e então ela me pediu que lhe fizesse uma história
mas não disse que tipo de história queria… queria apenas algo para distrair
para ler assim, quando nada mais estivesse ali para ler, sabe?
e eu comecei a escrever a sua história e disse "você quer um final feliz?" ao que ela respondeu "eu não sei"
era craque nesse tipo de resposta vaga. não tinha nunca certeza de nada. quando dei por mim estava na metade da história sem saber o que fazer da menininha bonitinha que tanto queria se distrair. ela era fofa demais para não ter um final feliz
cética demais para ter um fim daqueles de princesa de contos de fada, séria demais para terminar a história dançando a macarena, esperta demais para acreditar em qualquer coisa que lhe dissesse. e eu falei "menininha, é uma pena que eu não saiba o que você quer, porque assim eu não posso te agradar." então, houve aquele silêncio. a menina chorava sem parar enquanto tentava explicar que, não era eu que iria agradá-la, nem o fim da história, porque ela sabia que aquilo seria apenas uma história e não a vida real.
no momento seguinte nós dois choramos como se soubéssemos que aquilo era a coisa certa a se fazer. então eu parei e disse "menina, pára de chorar. vem comigo e vamos fazer da nossa vida um novo livro. deixa que eu cuido da pontuação, dos diálogos e da ação… eu só quero que você sorria pra mim." e ela disse… "mas e no fim?"
outra vez nos calamos.
respondi "sorri, menina. sorri pra mim, pra eu escrever um final feliz."
domingo, agosto 15, 2010
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