terça-feira, julho 14, 2009

história infinita; dúvida constante.

estava rodeado de filmes brasileiros baseados em fatos reais, baseados e fatos reais. tinha o mundo nas mãos; dinheiro, sucesso, posses e poses. não tinha pais, não tinha filhos, era só e chamava-se solidão. os dias cinzas e as cidades em cinzas pintavam o fundo de uma vida glamurosa-mizerável em meio ao caos e à falta de amor. vestia preto, sempre preto, bem passado, mal passado, era preto e preto era pra ser. não tinha detalhes, não tinha fichas, não tinha cadastro, não era pessoa, não era ninguém.

capítulo 1

o cigarro queimava às últimas cinzas enquanto a fumaça subia pelo braço adormecido deste pobre corpo inconsciente e dissociado de toda a realidade. a paranóia aliada à depressão e ao desespero eram como pesos deixados sobre sua cabeça. não sabia o que se passara ali, não conseguia se lembrar. enquanto o cérebro tramava um maneira eficaz de se levantar, conseguir vestir o que fora deixado nu, o reflexo no espelho mostrava uma sala desarrumada e o carpete sujo de vinho.
era hora de sair dali. fosse pra qualquer lugar, sabia que não estava seguro aonde quer que estivesse. fez a volta no quarteirão; viu padres e putas, besouros e moscas. correu de um lado ao outro do mundo e tudo o que havia por lá era solidão e tristeza. pensou sobre a vida: não era boa, mas era válida. não era muito, mas faria falta se não a tivesse. atravessa a rua, colide com a dor. senta-se sobre a dor. destrói a alma, afunda o corpo, engole o gozo e esmaga o crânio: estava sóbrio outra vez.
anda mais depressa, acende mais cigarros, fuma, respira, para. anda novamente, cheira a fuligem que escapa da paisagem distorcida. chega bem mais perto. foge novamente.

(...)

o narrador se perde. o personagem explode. a vida para. o movimento continua. o tempo espera, mas espera pouco. o vômito sobre, desce, apodrece sua voz. está só, está em paz.

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