incrível como estas ruas me fazem bem. por mais que eu deteste este lugar, é do lado de fora dos prédios que me sinto completamente são. como um rei andando sobre as cabeças dos seus súditos. vejo as velhas indo às compras, muito bem vestidas com seus conjuntos unicoloridos. rosa, vermelho, laranja e verde. rio da cara dos jovens tão cheios de si, certos de que a idade das emoções nunca acabará. acredito neles. não há porquê duvidar, na verdade. tudo que precisam é de um impulso e logo estarão prontos para dominar o mundo. ou não; nunca tirarão isto de mim.
os homens-de-negócios são a minha espécie preferida: ternos relativamente caros, jóias masculinas - relógios e cordões de ouro para afirmar(sustentar) a vaidade que atrai mulheres - perfumes que dizem muito sobre suas personalidade, calçados de marca alguma, apenas bonitos por serem seus; carros, família, um sorriso nojento de quem acabou de fechar um bom acordo. sem dúvida uma espécie ímpar.
vejo os mendigos, os vendedores ambulantes, todos agarrados à fé em deus, crentes de que um homem bom virá salvá-los desta podridão que é viver. invejo-os. muito, pouco, razoavelmente; mas invejo-os por causa dessa esperança infinita.
estas ruas me fazem muito bem. os problemas somem de mim quando observo a vida dos outros. é maravilhoso, como andar num zoológico de seres humanos que sabem estar sendo observados, por mim, por deus, pelos parceiros que ligam minuto a minuto. acho bonito o modo como vivem suas vidas fugindo da única certeza que lhes cabe: tudo isso vai ruir. é. eu amo estar de volta em casa.
sexta-feira, junho 05, 2009
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