sábado, abril 11, 2009

lugar seguro.

Às 4 horas da manhã não há mais ninguém pelas ruas. O mundo parece seu e tudo lhe pertence; os carros parados no caminho, os prédios que se impõem sobre você, o mar que sempre te despreza e o céu que desaba sobre sua cabeça. Você acha que pode tudo e 40 minutos depois percebe o quão impotente é alguém que mal consegue manter-se de pé.

Às 5 horas da manhã, o Sol começa a aparecer no horizonte e sua luz lhe apanha pelo pescoço e estapeia a sua cara: Você está pronto para viver mais um dia de decepções e tristezas. O caminho de volta para casa torna-se insuportável à medida que os efeitos do álcool e das outras drogas vão sumindo do seu corpo; você se coloca num lugar obscuro dentro da sua cabeça tentando escapar do óbvio: um dia a mais é sempre um dia a menos.

E finalmente consegue chegar à sua cama, o único lugar seguro em todo o universo. Você reflete sobre as coisas que disse, sobre os erros da noite passada, tenta com muito esforço lembrar-se de como tudo chegou ao ponto que está e tenta culpar alguém pela sua completa falta de competência (o que explica o fato de você não conseguir realizar nada que preste) e só depois percebe que isso não é eficaz.

Você está só, não tem amigos de verdade. Ou talvez tenha, mas eles estão ocupados demais sendo importantes para outras pessoas ou achando outras pessoas que lhe importem algo, de fato, não faz diferença. Você continua só. Sempre com a razão, sempre certo, porém só. Tudo se tornou um martírio, tudo é tão banal e clichê. Você simplesmente não sabe como, mas vive um dia depois do outro apenas por conveniência e comodismos e é isso que te mantém no seu lugar: esse cotidiano lancinante que ora te distrai e ora te devora. Você está no meio da rua, cercado por todos os lados, sem chances, sem saber direito qual o motivo de tudo isso, e mesmo assim, tudo que te preocupa é chegar no horário. O cansaço toma conta outra vez e você dorme. Assim se acostuma e vive o resto da vida sem saber que é preciso ir muito longe pra saber que nada vale à pena.

Nenhum comentário: