Fizemos nossa própria sorte baseados em esperanças vazias e sentimentos nulos. Era preciso mais do que um minuto de silêncio para preencher o vazio que ocupava nossa intimidade. Doeu como um tiro disparado contra a boca. Foi mais do que necessário.
Se pudesse escolher, teria feito uma escolha óbvia. Não era do tipo que sentia fome, não era do tipo que sentia coisa alguma. Apenas vivia movimentando o corpo em direção a qualquer coisa que pudesse gerar algum tipo de reação imediata. Viveu assim, morreria assim. Ninguém saberia dizer ao certo, se perguntado fosse, o quão estranho era passar dias sem comer, beber água, amar ou sentir raiva. Ninguém saberia dizer como era possível viver apenas de dor. Dores intensas que iam e vinham a qualquer instante, sem avisar, sem permissão. Era vazio, por assim dizer. A cabeça mais pesada do que o corpo e o corpo mais pesado do que qualquer outra coisa. Não havia raciocínio lógico, apenas o prazer corrupto de fazer mal a qualquer coisa que chegasse perto. Com seus pais foi desse jeito, seus irmãos sofreram o mesmo, seus amores nunca foram diferentes.
(...)
pensava; “serei maior do que tudo e todos, não importa o que custe, serei maior; sempre.”
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