segunda-feira, novembro 10, 2008

coelhos fogem, leões caçam, porcos fazem por merecer.

"acho que bebemos demais. não deveríamos estar nessa situação, com esses trajes (ou a falta deles). não sei como fugimos deles, não sei como viemos parar aqui, mas não quero que acabe.
esse carro não é confortável, mas podemos fazer aqui se quiser. podemos transar no quarto se quiser. não me toque muito forte. podemos fazer barulho, mas não quero acordar os vizinhos.
não vamos levantar suspeitas, não vamos fingir que somos íntimos o suficiente para correr o risco de não sabermos o que dizer quando formos pegos."queremos mais do que esses beijos vazios e o silêncio falso que existe na praia. o barulho das ondas, a areia nos dedos dos pés."mais do que a verdade incondicional de que tudo o que estamos fazendo é errado."
me conte seus sonhos.

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C\\:

estávamos sob a garagem da casa dos nossos anfitriões. fugimos juntos de toda aquela bagunça, barulho, baderna. estávamos deitados às margens do precipício enquanto os olhos percorriam cada detalhe do rosto um do outro, e mais o daquele estranho que se alojou entre nós dois como homem bêbado demais para notar sua inconviniência. queria mais do que aquele gole que tanto lhe pedi, queria mais do que o anel no meu dedo. queria o beijo rápido e escondido da vista dos outros. como a fumaça do cigarro que tomava todo o ar, e o hálito dos nossos romances esculpidos em grama molhada. você estava prestes a desabar. minha mão nas suas coxas corria leve até o meio das suas pernas e os lábios meus beijavam o seu pescoço que corria de mim para os braços daquele outro bêbado inconsequente. queria que você estivesse ali só minha, só comigo. e meus dedos apertavam a carne dos seus braços enquanto a outra mão tentava arrancar o copo de você. o copo era simbólico. eu queria um pretexto para falar mais tempo com você, que só sabia me evitar, e encotrava nas palavras mais ensurdecedoras uma maneira de afastar do seu beijo.
não quero mais saber aonde vai dar, não quero mais dançar. quero ir embora, quero ir para casa. no carro minhas pernas procuram as suas, minha mão procura seu ventre e minha sede procura atormentar o meu juízo dizendo que só estarei feliz depois que tiver você em mim.

"

Um comentário:

Júlia disse...
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