domingo, maio 04, 2008

Revolução Musical - Parte Dois.

Ok. Eu posso ter sido presunçoso (ou ingênuo) achando que a minha idéia de ‘revolução’ fosse agradar a todos. Depois de reler o meu próprio texto, percebi que, sim, há falhas, utopias, e até algumas coisas sem sentido. Por isso não vou entrar no quesito que mais me incomodou – que é a forma como isso se tornou uma espécie de ofensa a algumas pessoas e também como tenho sido tratado por outros (de maneira hostil e desrespeitosa). Mesmo assim, ainda detenho a mesma posição de antes: As bandas de Salvador têm o direito de ter seu trabalho reconhecido (não confundir com remunerado) e respeitado; para que as mesmas possam crescer de maneira que se lancem para um cenário nacional.

Depois de conversar (ou quase isso) com Luiz Henrique da NoPalla Produções, e outros membros de bandas, pessoas envolvidas com shows e etc. percebi que é indispensável que sejam cobradas metas de venda das bandas que participam dos eventos. De fato, se não houver esta cobrança, ninguém vende nada, e como o próprio Rick disse “todo mundo fica em casa coçando o saco”. Mesmo assim, ainda há um desequilíbrio na balança e a minha intenção é que todo mundo se junte para discutir uma forma plausível para que todos saiam ganhando (produtores, bandas e público). Ao contrário do outro texto, eu gostaria de deixar claro que não tenho nada contra nenhuma produtora e não os vejo como inimigos das bandas, muito pelo contrário, eu admiro o jeito como a NoPalla Produções trabalha e acho que a sua presença no cenário tem sido de grande ajuda às bandas, mas acho que algumas coisas devem ser mudadas. Por exemplo:

O número de bandas num show ainda é muito grande e isto prejudica o tempo de apresentação de todo mundo (contando com eventuais atrasos). É extremamente desrespeitoso ter seu repertório cortado seja em uma música ou pela metade, não interessa. As bandas gastam dinheiro para ensaiar, para se locomover, e mesmo que não haja retorno financeiro, é imprescindível que as mesmas tenham o direito de tocar todas as músicas que foram ensaiadas. Outro ponto importante é a falta de compromisso. Agora estou falando das bandas que se comprometem a vender X ingressos e não atingem a meta, prejudicando à produtora do evento – que fica com o prejuízo e vocês sabem o que isto acarreta. Não podemos agir como se fôssemos artistas famosos e deixar de correr atrás dos nossos compromissos, porque se não fizermos isso, não teremos o direito de reclamar de nada. Porém, há uma certa dificuldade em vender ingresso quando 10 bandas participam do mesmo evento. Já vi situações em que músicos que se dividem entre duas bandas ficam desnorteados por não conseguir atingir a meta estabelecida para ambas. Então, a minha sugestão é que seja revisto o número de bandas num evento para que estas possam exercer sua parte no contrato com a produtora.

Horário: Sei que os produtores são os primeiros a chegar no local do show. Sei também que muitas bandas têm ataques de estrelismo e muitas vezes se recusam a tocar até que a casa esteja com um número considerável de pessoas (pagantes ou não) para assistir o show. Isto é errado e não pode acontecer novamente. Deve-se respeitar o trabalho de todos os envolvidos no evento, e acredito que aqueles que não o fazem devem ser eliminados do evento para que não possam prejudicar aos outros.

O público: Se o horário do show está marcado para começar às 14hs, cheguem às 14hs e façam sua parte. Por mais que o resto não faça, todos nós somos público e detestamos ser desrespeitados, e por mais que o estigma de que ‘todo show atrasa’ exista, temos que fazer a nossa parte para que os outros façam a sua parte também.

Em relação ao lucro das bandas, eu sugiro que funcione desta maneira: A banda recebe 25 ingressos (quant. mínima) para vender, e, tendo efetuado a venda destes 25, recebe mais 15. Destes 15, cinco pertencem à produtora e o resto é da banda para vender ao preço que quiser e ganhar em cima desta venda. Acredito que este método já está em uso e por isso acho que não é tão complicado. Dessa forma, a produtora tiraria a sua parte e as bandas também. Não digam que isso é impossível porque não é.

Ao contrário do que muitos me disseram, eu sei muito bem como é difícil fazer um show de rock em Salvador e como funciona o sistema de acordo das casas de show. Sei também que vivemos num mundo capitalista e que expressar-se de maneira oposta ao ‘sistema’, apenas, não tem muita eficácia e por isso é necessário que todos tomem uma atitude e se unam em virtude de agir para que todos possam sair ganhando.

Acredito que não é tão difícil mudar a maneira como as coisas vêm acontecendo na cidade e por isso conto com a colaboração de todos que se ocuparam em ler este segundo texto, para que possamos atingir um grau de qualidade melhor nos eventos e, além disso, ter o trabalho de nossas bandas reconhecidas. Volto a frisar que não tenho a intenção de comprar briga com ninguém, seja músico ou produtor, e que tudo que fiz até agora foi zelar por um bem estar coletivo. Ora de maneira utópica, e agora de maneira mais plausível (acredito). Portanto, fica aqui a minha sugestão para uma possível, sim, Revolução Musical.

3 comentários:

Chucky Calixto disse...

Concordo com todas as palavras, essa é uma visão amadurecida. Principalmente com a questão de horários e cortes, tamanho desrespeito é foda. O compromisso é da produtora e se alguém tiver q pagar por algum eventual atraso q seja a produção e não as bandas.

Ginha disse...

Agora sim, posso concordar plenamente com você.

Apesar de não estar em nenhuma banda ou produtora, sei como essas coisas funcionam e que a reforma por você proposta, melhoraria consideravelmente a qualidade dos shows, até mesmo para o público.

Unknown disse...

gostei. concordo. farei minha parte como publico, como sempre fiz.