terça-feira, novembro 27, 2007

Sobre nós (ou eu, sem vocês.)

eu não posso negar.
tornou-se insuportável, intolerável aceitar.
eles vão dizer que não ouviram
os gritos mais altos que fui capaz de gritar.

não corri, não nadei, não voei.
não fiz nada para ficar ileso.
e quem dirá que os restos dos livros,
queimados há anos,
ainda guardam alguma coisa sobre nós?

eu não voltarei.
se for implorar, seja rápido!
eu tenho pressa para chegar.
não vou perder meu tempo com bobagens ao vento
nem mentiras pintadas em muros sociais.

promessas cumpridas são lendas urbanas
e a felicidade; um copo de coléra
que derrama seu suco em mim
quando durmo pensando em nunca mais acordar.

(...)

eu não vou mentir! desejei estar morto por mais de mil vezes
e quis ter os meus olhos comidos
por mortos de fome sem maldade no peito
apenas lutando pra sobreviver
e agora? sem nada para doar, nem deixar (para trás)
eu desmaio e caio ao chão,
solto meu corpo, me finjo de morto
e fico assim para sempre.

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