Você vê os seus dias passarem sem nenhum acontecimento importante. Acorda cedo, alimenta-se e segue seu rumo. Você não passa de mais um no meio de muitos.
Um copo de café para aquecer o corpo, um cigarro para aquecer o peito. Peito que está vazio. Um copo de cachaça para aquecer a alma. Alma que está morta. Tanto espaço cúbico em tantos lugares e o seu corpo parece não se encaixar em nenhum pedaço da realidade.
Você está deprimido sob a luz do dia novo (ainda é cedo demais para reclamar) e não sabe como expressar nada. Não consegue fechar os olhos porque tem medo de dormir, perder a hora. Foda-se a hora. Dormir seria bom demais agora... Com certeza. O frio começa a desaparecer e o seu casaco se torna um incômodo. Comece a imaginar como será sua volta para casa; ou pior, o tempo que vai levar até chegar tal hora. Você é o retrato perfeito do estresse cotidiano e está seguro em suas crenças sabe-se lá por que.
Por fim, você está morto sem estar deitado, um completo idiota sentado no espaço do medo terráqueo de ficar só. Vendo sua vida deteriorar.
quinta-feira, março 08, 2007
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