Um passo e depois outro. Eu estava andando, e cada arrastar dos pés me lembrava alguma cousa, uma angústia diferente. Estive com saudades das avenidas movimentadas da cidade, das buzinas, do caos. Meu peito não comporta muita emoção e eu sinto necessidade em colocar tudo pra fora, como num vômito falso, repleto de palavras.
Os outdoors na rua, todos eles me faziam pensar... É estranho sentir-se assim, mas eu os usei como terapeutas. Cada um ouvia o que eu queria dizer, sem que eu precisasse falar... E aquelas fotos que vivem olhando os passantes pareciam olhar só para mim. O cigarro, cínico, insistia em ficar acesso e me fazer refletir no quão errado é usá-lo para afogar as mágoas. É quase igual a beber para esquecer os problemas, cousa de gente idiota.
Hoje em dia, as pessoas são como são conhecidas e não como realmente são. Por isso, deixar uma boa impressão é sempre bem vindo. Nunca esquecerão dos meus erros, dos mal-entendidos, das gafes, de nada. Cada cousa que faço fica registrada numa 'ficha social' e elas são difíceis de serem apagadas.
Queria viver num avião, com máscaras de oxigênio que caem sobre o meu rosto para me ajudar a respirar. Queria uma válvula de escape para deixar meus pensamentos fugirem através dela.
Todas as vezes que eu penso em me desligar do mundo, de tudo, se confundem com as vezes que eu me conecto a todas essas cousas. E eu sofro mais... Porque eu represento tudo que eu mais odeio.
Todos os dias eu me vejo preso numa casca que não é minha, numa mente que não é minha, num lugar que não é meu. Com roupas que eu não paguei, com méritos que eu não recebi, com falhas que certamente são de minha autoria. Desejos que eu não posso controlar e dores que eu não paro de sentir. Eu sempre me vejo satisfazendo aquilo que me machuca, masturbando o corpo que não me pertence, amando o meu reflexo. Narciso desgraçado que não enxerga um palmo além do espelho.
Veneno em meu sangue, terror em meu quarto, solidão falsa... É mesmo muito bom estar em casa.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
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Um comentário:
sublime!
é incrível como tais palavras surgem de onde menos esperamos.
você é bom, garotinho!
beijos!
- perdão pela invasão.
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